Após a
fecundação a nova célula diplóide sofre várias divisões mitóticas sucessivas,
originando um indivíduo com milhões de células organizadas em tecidos e órgãos,
ao final de cerca de 266 dias. Ao período de desenvolvimento embrionário
chama-se gestação.
Primeiro trimestre de gestação
A primeira divisão mitótica do zigoto ocorre cerca de 24
horas após a fecundação, iniciando-se a segmentação. Esta fase decorre ao longo
da trompa de Falópio, e dura alguns dias. O número de células vai aumentando,
mas sem a dimensão global se alterar. Quando chega ao útero, a mórula tem 16
células.
A mórula transforma-se por segmentação numa estrutura, o
blastocisto, constituída por uma cavidade cheia de liquido uterino, o
blastocélio, uma massa de células que dará origem ao novo ser, o botão
embrionário, e uma camada de células externa, o trofoblasto. As células do
botão embrionário são estaminais, isto é, são totipotentes podendo
potencialmente cada uma delas dar origem a um novo ser. Quando o blastocisto
entra em contacto com o endométrio, inicia-se a implantação do embrião. A
implantação do embrião no endométrio chama-se nidação e leva cerca de 5 dias.
Durante este período as células do trofoblasto produzem enzimas que catalizam a
digestão do epitélio uterino, permitindo ao embrião penetrar na parede uterina.
Esta estrutura dará origem à maior parte dos anexos embrionários que permitem
que o desenvolvimento embrionário ocorra no interior do organismo materno. Os
anexos embrionários – âmnio, córion, saco vitelino, alantóide e placenta –
formam-se quando se inicia a nidação. O córion, possui vilosidades que vão
penetrar nas lacunas do endométrio preenchidas por sangue materno devido à
ruptura dos capilares. O embrião fica totalmente coberto pela mucosa interina
aos 11-12 dias, estando completa a nidação.
Nas primeiras duas a quatro semanas o embrião obtém os
nutrientes directamente do endométrio.
Ao fim de cerca de 15 dias, começa a ocorrer a
gastrulação e o início da organogénese. Dá-se a diferenciação celular a partir
dos três folhetos embrionários (ectoderme, mesoderme e endoderme), em tecidos,
órgãos e sistemas de órgãos. Destino dos folhetos embrionários:
·
ectoderme:
sistema nervoso, órgãos sensoriais, epiderme e pêlos
·
mesoderme:
derme, esqueleto, músculos, sistemas reprodutor, excretor e circulatório
·
endoderme:
sistema respiratório, revestimentos do tubo digestivo, da vagina e da bexiga,
glândulas do tubo digestivo, fígado e pâncreas
O coração começa a bater a partir da 4a semana, e a
partir da 8a semana o embrião passa a chamar-se feto e é aparentemente um ser
humano, que apesar de já bem diferenciado tem apenas 5 cm no final do 1º
trimestre. Formam-se também os outros anexos durante este período:
·
o âmnio:
membrana que delimita a cavidade amniótica preenchida pelo líquido amniótico,
no qual se encontra imerso o embrião. O líquido impede a desidratação e protege
dos choques mecânicos.
·
a vesícula
vitelina, e o alantóide, embora sejam muito importantes noutras espécies, nos
mamíferos são pouco relevantes, e o seu papel é assumido por um outro anexo
embrionário, a placenta.
·
a placenta:
estrutura em forma de disco, formada a partir das vilosidades coriónicas do
embrião e do endométrio materno. Encontra-se ligada ao embrião através de um
canal formado a partir do âmnio, o cordão umbilical, no qual existem duas
artérias e um veia. Estes vasos estão interligados por capilares através dos
quais se fazem as trocas de substâncias entre a mãe e o embrião. Ao nível
hormonal tem também um papel muito importante.
Na mãe, cessa a menstruação e os seios aumentam.
Segundo e terceiro trimestres da gestação – período fetal
Durante o segundo trimestre o feto cresce rapidamente e
atinge os 30 cm e mostra-se muito activo. No último trimestre atinge,
geralmente, os cerca de 3 kg e um comprimento de cerca de 50 cm. A actividade
fetal pode diminuir visto o espaço ser limitado.
O parto
O bebé finalmente nasce. Este processo divide-se em três
fases:
·
dilatação do
colo do útero: abertura e dilatação do cérvix da mãe, saída do liquido
amniótico (daí a expressão popular “rebentamento das águas”), surgem as
primeiras contracções rítmicas uterinas
·
expulsão do
bebé: fortes contracções uterinas forçam o feto a sair do útero através da
vagina. Os pulmões do bebé outrora cheios de liquido amniótico enchem-se de ar
pela primeira vez. O cordão umbilical é cortado.
·
expulsão da
placenta: a placenta e os restantes anexos embrionários são expulsos do corpo
da mãe
Regulação Hormonal na nidação e gestação
As células do blastocisto segregam hormona gonadotropina
coriónica (hCG) que actua no corpo lúteo do ovário. A hCG tem uma acção
semelhante à hormona LH, induz o crescimento do corpo lúteo para que a secreção
de estrogénios e de progesterona continue, evitando assim a secreção de FHS e
LH pela hipófise até depois do nascimento. Esta regulação hormonal inibe a
formação de um novo folículo e descamação do endométrio. O endométrio uterino
forma hCG a partir do 1º dia após a nidação, sendo detectada na urina, por
exemplo, através dos testes de gravidez (os mais correntes vendidos em
farmácias e supermercados). Posteriormente, são o córion e depois a placenta
que sintetizam a HCG. Perto da 7a semana a placenta começa a produzir
progesterona, substituindo o corpo lúteo. E na 12a passa a ser um função única
da placenta, e o corpo lúteo deixa de ser necessário e degenera. A progesterona
e estrogénios produzidos pelo corpo lúteo ou pela placenta iniciam o
crescimento dos tecidos mamários para a preparação da lactação. A hipófise
anterior produz prolactina, fundamental nas glândulas mamárias. Durante a
gravidez a produção de leite é inibida pela progesterona. Aumentam o número de
glândulas produtoras de leite (lóbulos) e no final do terceiro trimestre estas
glândulas podem produzir colostro, um liquido amarelo que fornece ao
recém-nascido proteínas, vitaminas, minerais e anticorpos.
Regulação hormonal no parto
No final da gestação a parede do útero sofre alterações,
ficando mais esticada e comprimida pelo feto, que aumentou bastante de tamanho.
Nesta fase os níveis de estrogénio são superiores aos da progesterona, as
células da placenta começam a produzir prostaglandinas, hormonas que causam a
contracção da musculatura lisa do útero. A pressão que a cabeça do feto exerce
sobre o colo do útero gera a formação de impulsos nervoso para o cérebro da
mãe, que liberta a hormona oxitocina pela hipófise posterior. Ambas a oxitocina
e a prostaglandinas causam contracções do útero, forçando o nascimento do feto.
Regulação hormonal no aleitamento
Durante a gestação é produzida prolactina pela hipófise
anterior. O efeito desta hormona é retardado pela progesterona e estrogénio,
cujos níveis baixam muito no nascimento do bebe permitindo que a prolactina
accione a produção de colostro e depois de leite. A própria sucção do mamilo
pelo recém-nascido induz a produção de prolactina que estimula as glândulas
mamárias a produzirem mais leite.
Fonte: http://wikiciencias.casadasciencias.org/wiki/index.php/Desenvolvimento_embrion%C3%A1rio_humano
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